
Desvende os segredos do Rio de Janeiro em ‘O Cortiço’ de Aluísio Azevedo e mergulhe nas complexidades sociais em um resumo envolvente.
Esse é o resumo do livro O cortiço de Aluísio Azevedo.
O cortiço de Aluísio Azevedo
A história se passa em Botafogo. João Romão, português, era empregado de um vendedor que deixou a ele a venda e tudo o que nela havia, como pagamento de salários vencidos. Romão era ganancioso e tinha ânsias de enriquecer. Era tão avarento que dormia em cima do balcão da venda e seu travesseiro era um saco de estopa cheio de palha.
Bertoleza, sua vizinha, era quitandeira, escrava de um velho cego que morava em Juiz de Fora e amigada com um português que trabalhava fazendo fretes na cidade. Ela fazia a comida de Romão. A quitanda de Bertoleza era muito movimentada. Ela tinha que enviar, mensalmente, dinheiro a seu dono e também conseguia guardar parte para sua alforria. O marido de Bertoleza morreu um dia, quando carregava, com seu carrinho de mão, peso superior às suas forças.
João Romão e Bertoleza se aproximaram e ela tornou Romão seu confidente a ponto dele guardar o dinheiro dela e de saber tudo sobre sua vida. As pessoas que tinham algo a tratar com ela, iam procurar Romão ao invés da escrava. Ela aceitava os conselhos dele, cegamente. Ele passou a cuidar de tudo que ela produzia e enviava a seu dono, mensalmente, 20 mil réis.
Se amigaram e foram morar juntos. Compraram, com as economias de Bertoleza, um pequeno terreno ao lado esquerdo da sua venda e construíram uma pequena casa: a parte da frente era destinada à quitanda e a do fundo a um quarto para os dois.
Ele forjou a libertação da escrava, falsificando um documento que dizia que ela era uma pessoa livre. Bertoleza não percebeu o engano e ficou muito agradecida a ele.
Mas ele ficou preocupado do cego ir atrás de Bertoleza porque ela parara de enviar o dinheiro que lhe era de direito. Providenciou que o homem ficasse sabendo que ela havia fugido para a Bahia depois da morte de seu marido. Romão somente ficou sossegado ao receber a notícia da morte do velho.
Tudo o que João ganhava na venda e na quitanda (onde Bertoleza servia café e fazia almoço para os trabalhadores), ele guardava. Foi assim que conseguiu comprar um terreno atrás de seu comércio e construiu três pequenas casas.
Ele roubava materiais das construções vizinhas para construir as casas de seu cortiço. Ele e Bertoleza, que o ajudava nessa façanha, roubavam tudo: tijolos, telhas, sacos de cal, ferramentas dos marceneiros, cavalos de pau e até as escadas dos pedreiros. Os roubos ocorriam à noite e como a polícia não passava por ali, roubavam livremente. Ele também trabalhava como pedreiro na construção para economizar dinheiro. Com o tempo, comprou mais pedaços de terra no fundo de seu comércio e foi, aos poucos, construindo mais casas.
Romão roubava não só o material de construção, mas os trocos dos clientes, deixava de pagar suas dívidas, mas nunca deixava de cobrar os seus devedores. Apertava cada vez mais as despesas e ia comprando todo o terreno do fundo da venda até não ter mais o que comprar por ali.
Aconteceu que durante essas construções, um sobrado ao lado da venda de João, foi vendido para Miranda, um português negociante de fazendas. Ele e sua mulher brasileira, D. Estela e sua filha Zulmira, se mudaram do centro do Rio para Botafogo, porque D. Estela o traía.
Miranda não se separava porque queria evitar escândalo doméstico, o que possivelmente afetaria suas negociações e também porque o dote que havia recebido ao se casar, o mantinha trabalhando e dando-lhe direito a ações da dívida pública e prédios, o que lhe permitia usufruir a seu bel prazer. Temia só de pensar em ficar novamente pobre e ter que retornar a Portugal em uma condição nada agradável para suas ambições.
Resolveram então, dormir em quartos separados. Odiavam-se e somente se mantinham juntos pelos interesses de Miranda e por uma questão de aparências. Não queriam que ninguém soubesse de seus problemas conjugais. O nascimento de Zulmira agravou a situação e os distanciou ainda mais. Os dois não gostavam da menina: Miranda por achar que não era o pai e Estela por saber que ele era o pai.
A casa de Miranda não tinha quintal grande e ele foi ter com Romão para que esse lhe vendesse uma parte do seu terreno que, por sinal, ficava atrás do sobrado do português. Romão se recusou e travou-se uma rivalidade entre os dois.
João passou a sonhar com um cortiço que se destacasse entre todos os que haviam em Botafogo. Passou a comparecer em leilões de materiais de construção, comprava coisas de segunda mão e deixava tudo no quintal, guardado por um cachorro, para evitar possíveis furtos.
Nem ele vendia parte do terreno para o Miranda fazer o quintal, nem Miranda vendia o quintal que lhe restava, pois João queria comprá-lo para construir mais casas. Quando percebeu que não adiantaria negociar com o português, iniciou a construção do cortiço.
E sua avareza crescia. Tinha uma horta e separava para si somente aquilo que ninguém compraria, o restante vendia. Os ovos que suas galinhas produziam, vendia todos. Mesmo gostando de ovos, não ficava com nenhum. Comia o resto de comida dos trabalhadores, tudo para não gastar.
O comércio de Romão cresceu a tal ponto que ele passou a importar e exportar produtos, ampliando a venda, abolindo a quitanda e criando armazéns para depósito. Não vendia somente o de comer, mas objetos de armarinho, roupas e acessórios, ferramentas e tecidos.
Começou a emprestar dinheiro para os trabalhadores e cobrava juros de 8% ao mês. Suas casas do cortiço alugavam-se rápido por causa da localização: eram próximas de onde os operários trabalhavam. O cortiço já contava com 95 casinhas. O pagamento das casas era mensal e as tinas para lavar as roupas, diário. A “Estalagem de São Romão” era muito disputada.
A inveja de Miranda por Romão cresceu a tal ponto que ele passou a desejar um título para mostrar ao outro português que era superior a ele.
Chegou de Minas, aos cuidados de Miranda, o filho de um importante fazendeiro, seu melhor cliente. Chamava-se Henrique e tinha 15 anos. Miranda o hospedou em sua casa antiga, mas o menino reclamou dizendo que não estava bem acomodado, então o negociante o levou para sua residência em Botafogo. Henrique havia ido ao Rio de Janeiro (na época, a capital do Brasil), para tratar assuntos referentes a seu ingresso na Academia de Medicina.
Seu pai pagava mensalmente a Miranda, por sua estadia. D. Estela cuidava do menino como se fosse seu filho, assim como cuidava de Valentim, filho de uma escrava sua, a qual ela havia alforriado. Tratava Valentim como se fosse seu próprio filho e dispensava mais atenção a ele do que à Zulmira.
Na casa do Miranda viviam: D. Estela, Zulmira, Valentim, Isaura e Leonor, ambas criadas negras e o velho Botelho. Botelho era português, tinha quase 70 anos e quando moço fora empregado de comércio e depois corretor de escravos.
Teve um tempo em que era rico, mas perdeu seu dinheiro e vivia, de favor, na casa de Miranda com quem trabalhou por muitos anos e de quem era amigo. Detestava Valentim por causa de seu atrevimento e pirraça e idolatrava tudo o que se referia a militarismo. Era conivente com tudo o que acontecia na casa, a ponto de ouvir as lamentações de Miranda e nada falar à Estela e ouvi-la ou ver suas traições e nada falar à Miranda. Descobriu que D. Estela e Henrique tinham um caso. O que ele fez foi apoiar a situação dizendo a Henrique que era um favor que ele fazia a Miranda e nada contou ao amigo.
Conheça alguns moradores do cortiço:
Leandra, “a machona”, sempre pronta para uma briga. Era portuguesa e tinha três filhos: Agostinho, que faleceu nos últimos capítulos do livro, quando se desequilibrou de uma das arestas da pedreira. A queda partiu seus ossos, quebrando o seu joelho e abriu-lhe a cabeça. Ana das Dores, que tinha 25 anos e Nenen, virgem de 17 anos.
Augusta carne-mole, brasileira e casada com um homem negro chamado Alexandre que era soldado de polícia e que mais tarde fora promovido à sargento. Tinham filhos, um deles a Juju que morava no centro da cidade com sua madrinha, a Léonie, descendente de franceses e prostituta. Era humilde com todos do cortiço e gostava especialmente de Pombinha.
Leocádia, mulher do ferreiro Bruno, considerada leviana pelas vizinhas.
Paula, a bruxa, respeitada por curar febres e inflamações na pele por meio de suas rezas e feitiçarias.
Marciana que era viciada em limpeza e sua filha de 15 anos, Florinda que era uma linda mulata que preservava sua virgindade. João Romão tinha interesse nela.
D. Isabel, viúva. Havia se casado com o dono de uma casa de chapéus, que se suicidou com a falência dos seus negócios. Ela tinha uma filha que se chamava Pombinha e era uma menina muito fraca desde pequena. D. Isabel não permitia que a menina fizesse nenhum tipo de trabalho. Ela tinha 18 anos e ainda não havia menstruado. Era noiva de João da Costa, um moço que trabalhava no comércio. Era bem empregado e vivia com um tio, do qual futuramente, ele seria sócio.
Esse casamento era importante para D. Isabel porque o Costa as restituiria ao círculo social do qual elas tinham saído. Ela não achava certo casar uma mulher que ainda não havia sido visitada pelas regras. Sempre orava a Deus para que ele concedesse essa graça à sua filha. Pombinha era muito querida de todos do cortiço. Era ela quem escrevia cartas para todos e lia o jornal. Davam-lhe presentes e ela sempre andava bem vestida e arrumada. Loira e muito pálida, tinha modos de menina e boa família.
Albino era um rapaz afeminado, fraco e que sempre vivia entre as mulheres. Era lavadeiro e as mulheres o tratavam como pessoa do mesmo sexo. Confidenciavam a ele segredos e ele reconciliava quem estivesse brigado. Gostava de dançar e no carnaval se fantasiava.
Mudou-se para o cortiço um cavouqueiro chamado Jerônimo, que trabalharia na pedreira de João Romão e, sua mulher chamada Piedade de Jesus, lavadeira. Eram portugueses. Jerônimo era esforçado, trabalhador, perseverante, dedicado e extremamente honesto. Tinha saudades imensas de sua terra natal. Piedade era honesta, forte, limpa, trabalhadora e se dava bem com todos.
Jerônimo havia sido contratado por Romão depois de um acidente na pedreira onde seu melhor trabalhador havia se ferido. Jerônimo passou então a ser o responsável pelos trabalhadores: alterou o pessoal, despediu alguns, admitiu outros, aumentou o salário dos que ficaram. Os trabalhadores, com o seu exemplo, passaram a ser zelosos e sérios. Romão respeitava muito Jerônimo e estava feliz com o lucro que conseguiu depois que ele passou a trabalhar em sua pedreira. Ele e Piedade tinham uma filha, Marianita, que estava em um colégio de freiras e os visitava aos domingos e dias santos.
Rita baiana era a moradora do cortiço mais adorada. Sumia por meses atrás de pagode e de seu companheiro Firmo e, quando voltava ao cortiço, era recebida com muita alegria. Todos queriam notícias suas e de suas andanças.
Firmo era um mulato delgado, carioca, sabia capoeira, torneiro e atual amante de Rita. Não morava no cortiço mas lá ia para vê-la e fazer pequenas batucadas aos domingos, dia de folga dos moradores.
Libório era um velho que morava na pior casa do cortiço e sempre pedia comida a todos, como um mendigo. Pegava pontas de cigarro do chão para fumar no cachimbo que ele roubara de um cego. Roubava até os doces das crianças. Ele pedia dinheiro e guardava tudo. João Romão estava de olho nele, porque Libório recebia muita esmola e ninguém sabia o que fazia com o dinheiro. O dono do cortiço percebeu que ele o guardava.
Em uma das batucadas no cortiço, Jerônimo conheceu Rita Baiana e por ela se apaixonou. Ela representava para ele tudo o que ele imaginou chegando ao Brasil. É como se todos os seus sonhos de português em uma terra desconhecida, pudessem ser realizados por meio de uma pessoa.
No dia seguinte ao da batucada, Jerônimo voltou do trabalho no horário do almoço e deitou na cama doente. A vizinhança preocupada não o deixou em paz. Somente mostrou sinais de melhora quando Rita foi visitá-lo e preparou-lhe uma forte xícara de café, dando a Piedade recomendações. Esta não gostou nada da “invasão” e sentiu perigo no ar.
Nesse mesmo dia, Leocádia e Henrique tiveram relações em um capinzal, em troca de um coelho que o menino carregava. Bruno a pegou ainda deitada no matagal e sem a saia. Não conseguiu ver quem era o homem, pois Henrique, assim que o avistou, tratou de fugir. Bruno a mandou embora de casa, depois de agredi-la e jogar todas as suas coisas pela janela. Rita a levou para morar em casa de umas engomadeiras amigas suas, depois a levou para uma família a quem Leocádia se alugou como ama-seca e depois, já grávida, foi trabalhar em um colégio de meninas.
Jerônimo foi aos poucos abrasileirando-se e deixou de sonhar com o retorno à sua terra: passou a gostar do Brasil, a se alimentar com a comida daqui e a ter costumes brasileiros como tomar banho todos os dias e fumar. Já Piedade permanecia a mesma e foi se entristecendo com as mudanças do marido. Aos poucos, foram afastando-se e já não mais dormiam juntos. Rita já havia percebido a queda do português por ela e não se fazia de difícil. Firmo encarava Jerônimo com um olhar de desafio e começou a conversar com Rita, assuntos referentes a lutas e mortes, deixando claro o seu ciúme e que algo poderia acontecer. Piedade havia ido até à Bruxa buscar um remédio para trazer o seu marido de volta, apreensiva em perdê-lo, pois não encontraria homem como ele e não saberia o que fazer de sua vida.
Marciana descobriu que Florinda estava grávida de um dos caixeiros da venda de Romão, o Domingos. As lavadeiras quando souberam foram com elas à venda obrigar Domingos a se casar com a menina, que era menor. Ele se recusou. João Romão o mandou embora por não aceitar caixeiros amigados. As lavadeiras se revoltaram: ou ele casaria ou morreria.
Romão, aproveitando-se da situação, disse à Marciana que arcaria com o dote para a menina, que não se preocupasse e que todas as lavadeiras fossem embora que ele cuidaria de tudo. Chegou a Domingos que estava em um quarto arrumando a mala, dizendo para ele ir embora à noite quando estivesse tudo calmo, dizendo-lhe que não lhe pagaria seus direitos pois havia prometido não desamparar a grávida e pagar-lhe um dote.
Domingos foi embora quando todos já estavam em suas casas e no outro dia quando Marciana foi procurá-lo, Romão lhe disse que Domingos havia fugido. Ela lhe cobrou o dote que havia prometido, mas ele se fez de desentendido e nada lhe pagou. Florinda fugiu depois de muito apanhar da mãe e andar o dia todo com esta, atrás da polícia e de advogados para resolverem a sua situação, mas as autoridades nada podiam fazer visto que elas não tinham recursos para pagar os serviços e Domingos havia fugido.
Depois de alguns meses, Florinda perdeu o bebê. Mas estava bem amigada com um marceneiro. Depois de tempos, voltou ao São Romão após a reforma do cortiço, amigada com um despachante de estrada de ferro.
Marciana chorou muito com o abandono da menina e culpava João Romão pela sorte. Este, sem paciência naquele dia porque no Jornal do Comércio havia saído a notícia de que Miranda fora agraciado com o título de Barão, com inveja do vizinho, mandou Marciana embora do cortiço, dando-lhe até o dia seguinte para esvaziar o quarto.
No dia seguinte, ela parecia sem juízo: falava sozinha e não respondia a quem se achegava. Romão buscou dois homens e pediu que tirassem as coisas dela da casa e levassem tudo para a rua, junto com ela. Marciana permaneceu inalterável com seus monólogos e indiferente ao despejo. Alguns moradores levaram comida para ela, mas nada da mulher se mover e dar sinal de sanidade.
Quando alguns a levaram para a venda, aparecendo lá um policial, Romão pediu para que a polícia a levasse embora. Assim, Marciana foi presa por não ter onde morar. Suas coisas foram recolhidas para o depósito público. Depois disso, ela foi para o hospício e lá, morreu.
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Romão passou todo aquele dia raivoso com a situação de Miranda, que por sinal, dava em sua casa uma grande festa aos amigos e familiares a fim de comemorar o título. O vendedor passou a questionar o fato de ter guardado tanto dinheiro nesse tempo e não ter feito como muitos de seus conhecidos que investiam em luxos para se destacar na sociedade e serem bem vistos pela classe dominante. Passou a refletir sobre sua vida e as atitudes que tomou até aquele momento.
Nesse mesmo domingo, outro acontecimento fez o cortiço agitar-se: a invasão policial. Era a primeira vez que a polícia invadia aquele local. A invasão ocorreu após uma briga entre Firmo e Jerônimo, durante a tradicional batucada noturna no cortiço. Firmo o viu falar com Rita algumas vezes, cochichando em seu ouvido e quando ela fez o mesmo, ele enfrentou o português.
A briga terminou depois que o capoeira sangrou o português com uma navalha e fugiu pelo capinzal antes da polícia invadir o local. Os moradores somente desviaram a atenção da polícia, quando perceberam que o cortiço estava pegando fogo. A Bruxa, por influência de Marciana, ateara fogo ao número 12, a casa onde Marciana viveu e o estrago só não foi maior porque choveu bem na hora.
Nesse domingo da loucura de Marciana, festança de Miranda, mal humor de Romão e briga e polícia no cortiço, D. Isabel e Pombinha haviam ido visitar Leónie. À tarde, quando D. Isabel cochilou, Leónie levou Pombinha para o seu quarto e teve relação sexual com ela. A menina depois disso, sentiu-se totalmente envergonhada e ao voltar para casa, no dia seguinte, amanheceu muito indisposta. Foi nesse dia que, finalmente, as regras vieram e foi quando ela descobriu, se recordando da véspera, das coisas que podiam acontecer e dos desejos que poderia ver realizados na companhia de seu noivo. Sentiu-se mulher.
Quando D. Isabel soube da notícia das regras, foi correndo contar a todos do cortiço. O Costa, o noivo, ficou sabendo e passou a visitar Pombinha todas as noites. A data do casamento foi marcada. Pombinha, que passou a ser mais sensível às dores das mulheres e as dos homens, percebeu que na realidade, não amava o noivo e que jamais o amaria, mas estava disposta a se casar pela mãe que ansiava tanto por aquele momento para mudar de vida.
Enfim, Pombinha se casou e ela e a mãe foram embora do cortiço. No fim de dois anos de casamento, o marido a deixara por descobrir os adultérios. Ela foi viver com Leónie. Tornou-se prostituta. D. Isabel teve que aceitar o dinheiro que Pombinha lhe mandava porque não tinha como trabalhar e precisava comer. Com o tempo foi morar com ela e depois de muito desgosto em ver a filha bêbada e se prostituindo, caiu doente e mudou-se para uma casa de saúde onde faleceu.
Surgiu na mesma rua de São Romão, um outro cortiço, o Cabeça de Gato. Os moradores do cortiço de São Romão e os do Cabeça de Gato tornaram-se rivais e isso graças a João Romão que fez a cabeça deles contra os outros, por medo da concorrência que crescia. A rivalidade era tamanha que quem era amigo dos moradores de um dos cortiços, não poderia ser amigo dos moradores do outro e não se falava de um para o outro sem amanhecer morto ou quase morto. Até a polícia já estava tomando partido da situação. As lavadeiras é quem reclamavam por causa da freguesia que se esvaziava devido à rivalidade.
Firmo foi morar no Cabeça de Gato e isso dificultou seu relacionamento com Rita. Os dois se viam cada vez menos e marcavam encontros fora da estalagem porque um não colocaria o pé no cortiço do outro.
Aos poucos, Romão percebeu que a outra estalagem fazia mais bem do que mal, porque aumentou o número de clientes na venda. Voltou então a se preocupar com o título de Miranda. Aquela história toda o havia feito refletir e provocou uma mudança em sua forma de pensar e agir. Mandou fazer roupas boas para ele. Passou a ler mais jornais, romances franceses (traduzidos), beber bons vinhos, frequentar o teatro e aulas de dança. Reformou o quarto em que vivia, pintando, trocando os móveis e colocando chuveiro no banheiro. Mantinha somente o bigode, não tinha mais a barba. Admitiu mais empregados para a venda porque trabalhava cada vez menos. Passou a se negar a servir os clientes.
Bertoleza permanecia da mesma maneira: suja, sem dia de descanso, ignorante, cada vez mais abandonada, escrava e triste com as mudanças de Romão.
Miranda já o cumprimentava na rua e até parava para conversar um pouco com ele. Botelho fazia o mesmo e passou a planejar com Romão o casamento deste com Zulmira, em troca da concessão de 20 réis. Botelho viu a possibilidade de conseguir dinheiro com a história e já havia planejado tudo. Recebeu um convite do Miranda para jantar em sua casa em um domingo, podendo assim, iniciar o seu plano de casamento. Foi então que passou a pensar no que faria com Bertoleza, que seria um obstáculo na realização do seu objetivo.
Botelho o ajudou. Chamaram o atual dono de Bertoleza. Quando a escrava o viu, entendeu que Romão a havia enganado e se matou com a faca que estava utilizando para limpar os peixes. Neste mesmo momento, uma comissão de abolicionistas, paravam na frente da casa de Romão. Haviam ido levar a ele, o diploma de sócio benemérito.
Bibliografia
AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 24.ed. São Paulo: Editora Ática, 1991.
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